Orgone & Neurons

O que é a infância nos tempos de COVID?

Dia das crianças passado, agora vem aí o natal! Para muitos já se passou o aniversário também e tudo em distanciamento social, são novos tempos e adaptações são necessárias. Encontros por vídeo chamada, mensagens por whatsapp e redes sociais, presentes descontaminados pelos produtos determinados a este fim. E assim, seguem os dias, voltamos às aulas online ou à distância (EAD) pós feriadão, estamos na reta final do ano letivo com mais dois meses para “fechar” o ano e continuamos tentando encontrar recursos, tecnologias, alcance aos alunos, estejam eles em que ciclo de aprendizagem for, não há muito o que fazer mais, a motivação dá lugar ao cansaço e ao esgotamento de todos, professores, alunos, família, sociedade, mas importante se faz, olharmos com olhos de vitória, pois estamos aqui e as lacunas serão comuns e necessitarão de uma atenção especial à seguir.

Já há enfeites natalinos no comércio e por aí, Papai Noel, pelo jeito, será virtual, sem fotos e pedidos na modalidade presencial, pois não pode haver contato físico e a máscara com toda aquela barba seria realmente um desafio.

Bem, voltando ao tema central deste artigo afinal, o que tem sido a infância nos tempos de COVID? Novas brincadeiras, contato intensivo com os familiares, novas modalidades de aprendizagem, recursos criados pelo cérebro para se organizar, estratégias para aprender e manter o foco atencional num ambiente nada preparado para estudos (a casa, o quarto, na maioria das vezes, local designados e simbolizado por nossa mente para descanso e lazer), o barulho das conversas, o bichinho de estimação que pede atenção, o cheiro de comida em determinadas horas do dia, os objetos de lazer (brinquedos, videogame, TV, quintal, bola, bicicleta, entre outros) ali ao meu lado, no meu campo de visão.  Isso, pensando no lado bom, mas há que se dar atenção também às famílias que perderam entes queridos e conhecidos próximos pelo vírus, nestes casos, as crianças estão tendo que vivenciar a dor da ausência tão precocemente, o choro e o pesar daqueles que as rodeiam, que estão ali cumprindo um papel determinado já pela natureza de atuarem como um porto seguro, uma fortaleza, um continente, pessoas que estão ali para garantir que há segurança, que pode seguir e que se cair, haverá alguém para os levantar, no entanto, infelizmente não tem sido bem assim, as crianças estão aprendendo muito cedo que todos somos humanos, que não há super-heróis, que pais, mães, tios, primos, amigos se vão e deixam um buraco enorme no coração dos que ficam e que aqueles que enxugam as suas lágrimas quando elas caem, se machucam, se sentem tristes ou doentes, são os que hoje estão precisando de outros seres humanos que enxugue as lágrimas deles e mostrando toda uma fragilidade que a criança não está acostumada a ver. Crianças amadurecendo num momento de muita dor.

Não tem sido fácil, mas não podemos ignorar que apesar de muito sofrimento, estamos também aprendendo muito com tudo isso e certamente sairemos mais fortes. Agora, o que temos a fazer é aprender, adaptar e seguir, sem perder de vista a ideia de que tudo isso é provisório e vai passar! Esperança sempre. Força, foco e fé!

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Mara Cristiane Rodrigues Aguila

Mara Cristiane R. Aguila

Psicóloga/ Neuropsicóloga
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