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O suicídio pode ser prevenido?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, boa parte dos casos de suicídio (cerca de 90%) pode ser prevenida se existirem condições mínimas de ajuda, profissional ou voluntária (CVV, 2015).

O estudo e a discussão do/sobre suicídio são formas mais eficientes de se promover a prevenção, pois esta só é possível quando a sociedade, os profissionais da saúde, a imprensa e as autoridades têm informações suficientes para conduzir/definir as medidas/estratégias adequadas e ao seu alcance nessa frente, embora tanto a prevenção como o controle constituam tarefa muito difícil. 

O tratamento do suicídio, enquanto factível, envolve uma série completa de atividades, abrangendo desde a provisão das melhores condições possíveis para buscar um enfrentamento efetivo dos transtornos psicológicos e/ou mentais até um controle ambiental e/ou social dos fatores de risco.

Jamison (2011) relata que o suicídio como uma ação individual  surpreende por sua imprevisibilidade aliada ao impacto que provoca no entorno social do suicida. Para a autora, “embora muitos pacientes tenham planos bem formulados para o suicídio, a cronometragem definitiva e a decisão final para a ação costumam ser determinadas por impulso”, de modo que os fatores biológicos são particularmente importantes para a decisão sobre quando a pessoa decide que vai morrer.

as pesquisas da World Health Organization (WHO) informam que cerca de um milhão de pessoas comete suicídio anualmente em todo mundo. Embora não faça parte deste estudo, também informa que o número de tentativas de suicídio é quase 20 vezes maior. Já no Brasil, as taxas de suicídio são menos alarmantes, mas mesmo assim o país figura entre os dez países com os maiores números totais de suicídios. O suicídio, um fenômeno multidimensional, envolve elementos ambientais, biológicos, sociais, mentais e psicológicos, sendo que os dois últimos figuram entre os principais fatores de risco para o suicídio, exigindo atenção das pessoas e dos profissionais para lidar com isso. A TCC se apresenta como uma importante estratégia de intervenção nestes casos, em especial por pautar suas intervenções na reestruturação cognitiva e na resolução de problemas. Neste estudo, com o objetivo de avaliar a efetividade das técnicas da TCC no tratamento de uma paciente com ideação suicida, descreveram o suicídio como um fenômeno multidimensional envolvendo elementos ambientais, biológicos, sociais, mentais e psicológicos sendo que os dois últimos estão entre os principais fatores de risco, logo, exigem atenção e preparo dos profissionais de saúde mental para lidar com esse fenômeno e assentam que a terapia cognitivo-comportamental, ao pautar suas intervenções na reestruturação cognitiva e na resolução de problemas se apresenta como uma importante estratégia de intervenção nestes casos que se faz mais eficiente se associadas à religiosidade e/ou espiritualidade da paciente. Por ser um estudo de caso único, os autores recomendam novos estudos semelhantes para conclusões mais generalizadas.

Mesmo com os avanços científicos, as sociedades contemporâneas ainda tratam o problema do suicídio como algo vergonhoso, resultante de uma falência da responsabilidade pessoal, da coesão familiar ou do sistema social. 

Esta visão promove uma série de dificuldades na intervenção e na pesquisa desses casos, pois é essencial levar em conta que o suicídio é um problema complexo para o qual não existe uma única causa ou uma única razão, pois é um ato que resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais.

Mesmo sendo aceito como uma das principais causas de morte entre as pessoas, o suicídio é estarrecedor, incômodo. Para pensar em uma ação de enfrentamento do suicídio é preciso que se procure entender o que gera o comportamento suicida e como esse gesto extremo pode ser prevenido/tratado.

Para Beck (2010, p. 14), “pacientes suicidas frequentemente entravam em conflito sobre razões para viver e para morrer”, um conflito que resulta da batalha interna entre desejar morrer e desejar continuar vivo. Consequentemente, frente ao desespero insuportável que, a cada dia, é infligido pelo sofrimento físico ou emocional, a vida perde o sentido e a morte transforma-se no passaporte para um mundo totalmente diferente, no qual todas as necessidades sejam saciadas.

Na realidade, parece lugar comum na vida das pessoas experimentar, pelo menos uma vez, ainda que de maneira inócua, um momento de desespero total aliado à falta de esperança. Mas, paulatinamente, ideias e sentimentos se reorganizam, a confiança se restabelece, a busca de apoio e de saídas para o problema que gerou o desespero momentâneo restabelecem a confiança e a vida segue. No entanto, muitas pessoas não conseguem reencontrar a confiança e o suicídio parece-lhes o melhor caminho. E elas se matam.

Assim, parece que o suicídio é um ato que não tem explicações objetivas e como tal, continua sendo tratado como tabu, motivo de condenação, sinônimo de loucura. Mas as estatísticas, como já mostrado, dizem que o suicídio é um assunto que deve ser discutido, em alto e bom tom.

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Jaime Canfield

Jaime Canfield

Psicólogo
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